É A HORA E A VEZ, MULHER

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Era uma vez uma mulher que no começo dos anos 90 nascia no interior de São Paulo, quase Minas. Foi criada em meio à pujante cana-de-açúcar, mas mesmo ali soube descobrir a paixão pelos animais, sobretudo pela produção pecuária. Cresceu, estudou e se formou em Veterinária. E aí então caiu nas estradas, boiadeiras e de asfalto, colocou sua astúcia e perseverança femininas para trabalhar em prol do desenvolvimento da cadeia da carne. Acertou, tropeçou, chorou. Entretanto, deixou e, ainda deixa, sua marca de ter fé na vida. Eu vi no calor dos seus olhos a energia de continuar firme na empreitada que a história há de contar.

Histórias como a dela se repetem ano após ano, pois cada vez mais mulheres rompem as porteiras do mundo pecuário e adentram fazendas, buscando corajosamente ocupar seus espaços. Tal processo já vem acontecendo há mais tempo e em maior intensidade em outros setores da economia no Brasil e no Mundo, reflexo nítido de uma maior inserção da mulher no mercado de trabalho nas últimas décadas. É uma mudança comportamental que temos assistido na qual jovens mulheres além da missão de serem mães, também vislumbram construir suas carreiras e contribuir profissionalmente para o mundo. Na pecuária não é diferente, nos confins do Brasil Agro o universo feminino vai encontrando sua estrada.

Mas, nem toda estrada percorrida é cascalhada e plana. Quando se trata do ambiente rural, apesar da evolução dos novos gestores agropecuários, ainda prevalece conceitos retrógados de que o campo não é lugar para mulheres, cujos efeitos são como pedras e buracos que as dificultam traçar o caminho. Além disso, são poucas as fazendas estruturadas com alojamentos apropriados para receber veterinárias, agrônomas e zootecnistas em suas visitas técnicas ou comerciais. Porém, tudo isso não amedronta essas guerreiras, com jeito e determinação vão quebrando tabus e provando suas competências. Mostram que habilidades inatas ao sexo feminino, como o capricho e o detalhamento, são de extrema importância ao setor pecuário.

Uma mulher encontra erros em planilhas de custo que ninguém os vê. Uma mulher diagnostica problemas sanitários em uma bezerra com a sã sensibilidade que nem um microscópio pode crer. Uma mulher determinada implanta controles em uma fazenda que nunca caderneta pôde ver. Uma mulher quando focada faz na areia de Água Clara resultado grandioso aparecer. Não é de se espantar que cargos de grande relevância em empresas e Institutos da agropecuária tem sido ocupadas por mulheres, desde o desenvolvimento técnico até a elaboração de estratégias de marketing. É aquela capacidade incrível e intrigante de fazer tudo ao mesmo tempo, aprimorando os processos na cadeia da carne para esse mundo cada dia mais instável e em intensa mudança.

Eu vejo que na curva da mudança de paradigma há quem parou na negação e na resistência, por insegurança ou completa ignorância. Outros, conscientes ou não, exploraram melhor a ideia e decidiram remar junto, aceitando a realidade que aí está. A despeito dos contrários, é a hora e a vez delas. Nessa peleja eu vejo Carolinas, Robertas, Mirellas, Melinas, Julianas, Marianes, Adrianas, Temples e tantas outras mais, lutando bravamente. Misturam dor e alegria na busca de uma pecuária que será ainda melhor se tivermos essa tal gana sempre.

José Pádua

Especialista em Produção e Nutrição de Ruminantes pela Esalq-USP,  Médico Veterinário pela Unesp-Jaboticabal,  Consultor-sócio da Terra Desenvolvimento Agropecuário,  Membro da Comissão Jovem da Famasul-MS.

 

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