Opinião: A Chegada da Carne Bovina dos Estados Unidos no Brasil

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Em 2016 foi anunciada a abertura de mercado da carne bovina para países como Estados Unidos, Malásia e e Vietnã. Além de exportarmos carne brasileira, no caso americano, o acordo possibilitou também a importação. Entre março e abril, chegarão os primeiros containers.

As empresas brasileiras buscam importar cortes especiais para atender o varejo “premium”, ou seja, as lojas e boutiques de carnes gourmet.

O que isso significa?
Por um lado, que os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à qualidade, fazendo com que as empresas aumentem a oferta;
Possibilita uma maior variedade de opções no momento da escolha, que já inclui carnes importadas da Argentina e do Uruguai.

Mas, a carne americana é melhor do que a nossa?
Primeiro, não podemos generalizar. Há bois de primeira e de segunda tanto nos Estados Unidos, como no Brasil. Também ainda não temos a informação exata das características das carnes que serão importadas.
Mas é fato que o Brasil possui carnes superiores a dos Estados Unidos, principalmente sob a ótica das carnes gourmet (aquelas vendidas em açougues/boutiques).

Por que? A maior parte da produção americana é realizada em confinamento, do nascimento ao abate. No Brasil prevalece o pasto e uma pequena parte é terminada em confinamento. Além dos aspectos nutricionais, a carne a pasto inclui um maior bem-estar animal, visto que o animal cresce livre no campo. Além do mais, enquanto aqui os hormônios são proibidos, lá é permitido.

Então, eu não devo comer carne importada dos Estados Unidos?
A escolha cabe a nós. É importante experimentar e conhecer. Mas, também é crucial considerarmos o trabalho dos pesquisadores, zootecnistas, veterinários, pecuaristas brasileiros e todos os outros agentes, que diariamente investem em uma produção mais sustentável nas fazendas para que chegue uma carne cada vez melhor as nossas mesas.
Apresentamos cada vez mais iniciativas de destaque como a Carne Carbono Neutro, a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta e até carne com o certificado Rainforest Alliance. Além disso, é crescente o número de marcas e de Associações de raças, como a Angus, Nelore, Senepol, que não só demandam uma carne de maior qualidade, como investem para que a produção seja a cada dia melhor.

Não estou dizendo para não comer a carne americana, nem para revidarmos protecionismo. Novamente, ressalto que é importante experimentar e ter opções de escolha para variar os pratos. Mas, em minha monografia, quando estudei a percepção dos consumidores em Ohio, uma das imagens da carne bovina foi formada por “American”, mostrando como é forte a identidade que eles possuem em relação à carne. E quando perguntados sobre a produção, a imagem foi formada por atributos como “economia do país”, “geração de empregos”. Então, assim como eles possuem os selos “Local Food”, “Buy/Eat Local” para incentivar o consumo do “American made”, por que não valorizamos também o que é nosso?

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Juh Chini

Mestre em Gestão Internacional na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Economista na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ-USP). Consultora e empreendedora em negócios, marketing e mídias sociais. Fundadora do Blog da Carne, viajante, palmeirense e apaixonada por churrasco, família, amigos e uma mesa de bar. "A vida é a arte do encontro!"

Juh Chini

Mestre em Gestão Internacional na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Economista na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ-USP). Consultora e empreendedora em negócios, marketing e mídias sociais. Fundadora do Blog da Carne, viajante, palmeirense e apaixonada por churrasco, família, amigos e uma mesa de bar. "A vida é a arte do encontro!"

15 comentários em “Opinião: A Chegada da Carne Bovina dos Estados Unidos no Brasil

  • março 7, 2017 em 10:15 am
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    Hoje, já existem muitos projetos, como a VPJ Pecuária, que se baseia nas regras de produção norte-americanas, ajudando a frear essa invasão de produtos importados. Em qualquer boutique, açougue gourmet ou restaurante mais refinados, encontramos carnes de alto padrão produzidas aqui mesmo.

     
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  • março 17, 2017 em 10:54 pm
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    O que interessa é preço e qualidade. Onde foi produzido não interessa. O resto é papo furado.

     
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    • março 18, 2017 em 6:11 pm
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      Também não interessa onde os empregos são gerados e para onde os recursos primários irão, “né”?

       
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  • março 18, 2017 em 12:48 am
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    eles comem nossa carne boa, processada pelos frigoríficos deles claro e nós comemos a piorzinha deles porque a boa deles eles não vaum exportar e ainda ficamo se achando, dizendo “hj tem barbecue”.
    Nossos recursos naturais tem um enorme potencial para alimentar o Brasil com qualidade!

     
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  • março 19, 2017 em 11:11 am
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    Uma dúvida: em sua pesquisa considera-se “nacional” como sinônimo de “local”? Porque o que se chama de local, na economia alimentar, não pode ter a mesma classificação de uma grande empresa nacional. Uma gigante como a JBS não pode ser classificada junto com a família agricultora do Seu Zé, embora sejam ambos nacionais. São modelos de negócio completamente opostos – e o conglomerado gigante tende a controlar a produção e distribuição e esmagar o pequeno, que é de fato local.

     
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  • março 19, 2017 em 6:01 pm
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    Eu valorizo a indústria nacional, mas não quer dizer que não possa defender uma indústria cada vez melhor em relação aquela dos países desenvolvidos. Adoração cega nos leva a produtos ruins e a monopólio que favorece apenas o corporativismo.

     
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  • março 19, 2017 em 8:57 pm
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    Kkk, carne dos EUA não é podre e não tem papelão.

     
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  • abril 3, 2017 em 4:21 pm
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    Estranho que sua matéria à época não mencionava a contra-partida: “A também recente abertura do mercado dos EUA para a carne bovina brasileira significou o reconhecimento dos esforços realizados para aprimorar a qualidade da nossa carne. Há 14 estados brasileiros aptos a exportar carne para os EUA, sendo 25% concentrado no Mato Grosso. Se o mercado americano é referência para muitos países e eles estão mais receptivos a nossa carne, a possibilidade de conquistarmos outros mercados exigentes aumenta”.
    Esta matéria deu munição à esquerda para propagar a mentira de que a operação da PF foi para favorecer os americanos.

     
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  • maio 3, 2017 em 11:42 am
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    Eu sempre tive vontade de importar. Mas tenho muito medo que possar a cheira contrabando. Vi vários cursos que falam a respeito desse assunto. Mas sera que vale mesmo a pena esse treinamentos. Falam sobre tudo mesmo, o passo a passo. Ainda mais que aqui no Brasil o imposto sobre importação é um absurdo. Enfim medo de tentar.

     
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  • maio 19, 2017 em 9:45 pm
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    Nossa que demais aprender como importar produtos dos EUA. Vou colcoar as dicas citadas aqui e ver o que acontece. Muito obrigado por compartilhar.

     
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