Recentemente, li a última coluna “Dentro da Porteira” e como o amigo Zé Pádua escreveu: “é começo de ano”. O meu começou com o convite, feliz e prontamente aceito, em escrever e tentar contribuir com a sua ideia de angariar impressões e opiniões sobre o tal “Dentro da Porteira” por outros setores ligados ou não ao agronegócio. Esclareço que o meu setor é o jurídico, sou advogado, mas apaixonado pelo agronegócio.
Minha vida se relaciona com a parte de dentro da porteira por diversos motivos, mas posso destacar três: familiar, geográfico e curiosidade. O primeiro deles explica-se pelo fato de meus bisavôs paternos terem uma história com uma propriedade rural na região de Maracaju, próxima à estação Pequi, que se traduziu nos traços e costumes de minha avó com a vida rural, inclusive no interesse em conhecer meu avô, que era proveniente de uma outra região de Mato Grosso do Sul, a de Bela Vista, na qual desempenhava a atividade de tropeiro. O segundo motivo decorre de ter nascido no MS, tantas vezes traduzido em versos por Almir Sater. O terceiro motivo, acredito que seja proveniente de minha carga genética, sempre fui curioso, o que inclusive me rendeu, durante minha infância vivida na fazenda Santa Bárbara de João Vallé, o apelido de Zequinha, do Castelo-Rá-Tim-Bum, pois eu sempre perguntava: “mas, por quê?”, para quase tudo que acontecia.
Ao ler a última coluna, sobre a fase final da produção pecuária dentro da porteira, me fez lembrar da criação, ainda que pequena, que meu tio-avô e meu avô mantinham, produzida basicamente a pasto. “Sob as intensas chuvas e o sol tropical”, como bem lembrou o Zé Pádua, o capim da região de Aquidauana, portal do Pantanal, também era transformado em energia, que era depositada em gordura na “vacada”.
Sendo 3 os modelos de engorda no Brasil, acredito que o do que mais me recordo é o extensivo, praticado na fazenda em que eu passei minha infância. Lembro-me de ouvir, certa vez, um professor dizer que a pecuária extensiva era aquela em que se deixava o saco de sal mineral no pasto e eram os próprios bovinos que deveriam se encarregar de abri-lo. Não é assim e não o era, mas depender exclusivamente de sol e chuva não basta, não há boa produção somente com esses elementos. É então que entram em ação as técnicas de manejo, essenciais para os reflexos positivos do setor agropecuário.
Relevante é perceber que o formato extensivo vem cedendo espaço ao formato intensivo, movimento este que pode ser percebido pelo consumidor final, tendo em vista a diferença do produto final que chega à mesa, não só dos brasileiros. Por óbvio que o processo produtivo é complexo, mas o que se percebe é um estreitamento de laços entre os produtores e os consumidores, especialmente pela grande mídia e pelo acesso à rede mundial de computadores, o que permite maior e mais qualitativo acesso à informação.
Como eu costumo parafrasear, em tom descontraído, “o agro é tech, o agro é pop e o agro é tudo”. Brincadeiras à parte, o agro pode não ser tudo, mas representa grande parte da vida dos brasileiros, ainda que muitos não se deem conta. Satisfação é perceber, cada vez mais, iniciativas para tornar o agronegócio mais presente na vida das pessoas, especialmente através do acesso a conteúdo e informação de qualidade, tal como se propõe o Blog da Carne e esta coluna. Ao olhar de dentro da porteira hoje, percebo que a tecnologia é um grande diferencial, assim como na área do Direito. Tecnologia nas etapas (cria, recria e engorda), no caminho entre o campo e o consumidor final e, ainda, no acesso à informação, o que permite que nos mantenhamos atualizados dos cenários, ainda que nem sempre de dentro da porteira.
Texto de José Pádua
Especialista em Produção e Nutrição de Ruminantes pela Esalq-USP, Médico Veterinário pela Unesp-Jaboticabal, Consultor-sócio da Terra Desenvolvimento Agropecuário, Membro da Comissão Jovem da Famasul-MS.
Coautoria Thiago Melim Braga
Advogado sócio no escritório Renato Leal Advogados Associados, formado em Direito pela Universidade Anhanguera Uniderp. Especialista em Direito Constitucional pela PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Mestrando em Direito Constitucional pela PUC/SP. Membro da Comissão de Direito Constitucional da OAB/SP. Professor assistente do curso de graduação em Direito da PUC/SP.
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